Lesson 1, Topic 1
In Progress

O Escafandro Autónomo

O escafandro autónomo é conjunto de equipamentos que nos irá permitir estar de forma segura, confortável e respirar debaixo de água. O escafandro autónomo é constituído por:

  • Garrafa
  • Reguladores
  • Manómetro de Pressão
  • Sistema de Fixação / Colete de Mergulho

A GARRAFA

FUNÇÃO


A garrafa de mergulho, é um reservatório cilíndrico, metálico, capaz de armazenar misturas respiratórias a pressões muito elevadas (200 ou 300bar). A torneira é enroscada e vedada com uma junta tórica, de forma a reter o ar dentro da garrafa (desta peça se falará mais adiante).

CARACTERÍSTICAS


A garrafa é normalmente fabricada em liga de aço ou de alumínio, sendo as garrafas de aço as mais utilizadas em Portugal.

Os volumes de garrafas mais usuais são as de 10, 12 e 15 litros.

Normalmente a garrafa tem uma base em plástico ou borracha, que serve para que a garrafa possa ser colocada de pé quando está a ser carregada.

REGULADORES

FUNÇÃO


O regulador é a peça mais importante do escafandro. Tem como função reduzir a pressão do ar armazenado na garrafa e fornecê-lo ao mergulhador a uma pressão respirável, isto é, à mesma pressão a que se encontra a água que o rodeia (pressão ambiente).

Os reguladores são constituídos por dois corpos unidos por uma mangueira, são eles:

  • O Primeiro Andar
  • O Segundo Andar

O primeiro andar do regulador (andar de alta pressão) é metálico e tem a função de reduzir a alta pressão a que se encontra o ar na garrafa para uma pressão intermédia fixa (vulgarmente designada baixa pressão). Este corpo está acoplado à torneira da garrafa pelo sistema Yoke ou pelo sistema DIN, consoante o tipo da saída da torneira.

O primeiro andar tem várias saídas LP (ar à pressão intermédia). De uma das saídas LP sai uma mangueira que leva o ar à pressão intermédia até ao segundo andar do regulador.

As mangueiras de alimentação do segundo andar de emergência, do colete e do fato seco, são ligadas às restantes saídas de pressão intermédia. O primeiro andar tem também uma ou duas saída HP (ar directamente à pressão da garrafa), onde se liga o manómetro.

O segundo andar, que pode ser metálico ou de plástico de alta resistência, reduz a pressão intermédia do ar para a pressão ambiente, permitindo assim que o mergulhador respire sem qualquer esforço.

Basicamente, o segundo andar tem uma válvula de entrada, que regula a admissão do ar a inspirar de acordo com a pressão ambiente, um bocal, através do qual o mergulhador respira, e uma válvula de saída, por onde sai o ar expirado. Possui também um botão de purga que permite ao mergulhador abrir manualmente a válvula de entrada e pôr o regulador a deitar ar continuamente (débito contínuo), caso seja necessário.

REGULADOR DE EMERGÊNCIA


A utilização de uma fonte alternativa de ar, que poderá ser um regulador de emergência ou apenas de um segundo andar de emergência, é obrigatória para todos os praticantes (NP EN 14153-1 2005).

A vantagem desta fonte alternativa é permitir que no caso de avaria do regulador principal o mergulhador possa utilizá-la para respirar ou, numa situação de emergência, o mergulhador possa dar ar a um companheiro sem que seja necessário partilhar o regulador principal.

Normalmente o segundo andar de emergência está ligado a uma das saídas de baixa pressão do primeiro andar, através de uma mangueira bastante mais comprida, para mais facilmente chegar ao mergulhador assistido. Alguns destes segundos andares têm o bocal virado para o recebedor, não sendo necessário torcer a mangueira para lhe introduzir o bocal na boca, o que facilita bastante a manobra de dar ar.

Como alternativa, o mergulhador pode optar por um segundo andar de emergência integrado no sistema de enchimento do colete. A alimentação deste segundo andar é feita pela mangueira de enchimento do colete.

Se a torneira da garrafa tiver mais do que uma saída, o mergulhador pode montar um segundo regulador (em vez de um segundo andar de emergência). Com esta solução, mesmo que surja uma falha no primeiro andar do regulador principal, é sempre possível respirar pelo regulador
de emergência.

MANÓMETRO DE PRESSÃO

FUNÇÃO


O manómetro de alta pressão serve para medir a pressão do ar, ou outro tipo de mistura gasosa, dentro da garrafa de mergulho.

CARACTERÍSTICA


Nos manómetros mecânicos convencionais a pressão é indicada por um ponteiro que se desloca sobre um mostrador circular, graduado em bar (kg/cm2) ou em PSI (libras/polegada quadrada).

Normalmente o mostrador tem o sector entre os 0 e os 50 bar pintado de vermelho. Quando o ponteiro entra neste setor diz-se que o mergulhador entrou na reserva. Isto significa que o mergulho está no fim devendo iniciar-se imediatamente o regresso à superfície.

O manómetro de mergulho é ligado, através de uma mangueira especial, à saída de alta pressão (HP) do 1º andar do regulador, medindo a pressão no interior da garrafa assim que a torneira é aberta.

MANÓMETRO DE MERGULHO


Este indica qual a pressão do ar existente na garrafa durante o mergulho.

O manómetro de mergulho é um instrumento obrigatório para o mergulhador, pois permite-lhe controlar a quantidade de ar que tem na garrafa, de modo a poder regressar à superfície antes do ar terminar.

Tal como os outros instrumentos atrás descritos, o manómetro de mergulho é um sistema de controlo passivo. Isto significa que o mergulhador deve ter o hábito de o consultar regularmente.

MANÓMETRO ELETRÓNICO


No manómetro eletrónico, o valor da pressão é apresentada num mostrador digital.

Além da representação numérica, normalmente o valor da pressão é também representado graficamente por uma coluna, onde está assinalada a zona de reserva.

Estes manómetros já se encontram incorporados nos computadores de mergulho.

COLETE DE MERGULHO

FUNÇÕES


O colete de mergulho reúne duas funções:

  • Fixar a garrafa às costas do mergulhador
  • Controlar a sua flutuabilidade

O colete pode ser utilizado para fixar a garrafa às costas do mergulhador, mas na realidade esta é uma utilidade secundária. A principal função do colete é permitir o controlo da flutuabilidade do mergulhador durante a imersão e proporcionar flutuabilidade positiva à superfície, dando maior conforto e segurança nas duas situações.

CARACTERÍSTICAS


É formado por uma bolsa em tecido resistente (nylon ou outro material), que se pode encher com ar proveniente da garrafa através do primeiro andar do regulador (ar em pressão intermédia), com ar proveniente de uma pequena garrafa auxiliar (ar em alta pressão) ou à boca o que é francamente desaconselhado.

Alguns modelos têm saco duplo, isto é, uma câmara de ar interior em poliuretano, protegida por um invólucro exterior em tecido de nylon resistente à abrasão e aos cortes e perfurações.

Todos os modelos de colete possuem bolsos, onde podem ser acondicionados o segundo andar de emergência e a consola, peças do equipamento delicadas, que assim ficam protegidas e deixam de andar a arrastar pelo fundo.

TRAQUEIA DE ENCHIMENTO


O colete possui uma traqueia, à qual está ligado um sistema mecânico de injecção de ar (Direct System) que tem uma válvula de enchimento, uma válvula de descarga e um bocal. Este mecanismo de enchimento é alimentado por uma mangueira ligada a uma saída LP (ar em pressão intermédia) do primeiro andar do regulador. A válvula de injecção de ar deve ser progressiva, de modo a permitir o enchimento suave e controlado do colete.

A descarga do ar é feita através da traqueia e do bocal, que permite também encher o colete à boca (desaconselhado). A traqueia deve ser de grande diâmetro de modo a permitir uma purga rápida do colete.

Em alguns coletes é possível optar por um segundo andar de emergência incorporado no sistema de enchimento. Esse segundo andar é servido pela mangueira que alimenta o mecanismo de injecção de ar no colete o que reduz o número mangueiras ligadas ao primeiro andar do regulador.

VÁLVULAS DE SEGURANÇA E PURGA RÁPIDA


Para evitar o rebentamento por enchimento excessivo e permitir a libertação rápida do ar, o colete tem válvulas de segurança e de purga rápida. Geralmente estas válvulas localizam-se em cima, junto ao ombro, e em baixo, atrás, junto do bordo inferior do colete. As válvulas dos ombros, incluindo a válvula da traqueia de enchimento, usam-se quando o mergulhador nada na horizontal ou de cabeça para cima. As válvulas de baixo são usadas quando o mergulhador se encontra de cabeça para baixo.

Válvula Desmontada

O MANUSEAMENTO DAS VÁLVULAS DE SEGURANÇA DEVE ESTAR PERFEITAMENTE AUTOMATIZADO, PARA QUE O SEU ACIONAMENTO SEJA IMEDIATO, EM CASO DE NECESSIDADE

ESCOLHA E AJUSTE


O colete deve adaptar-se correctamente ao corpo do mergulhador de modo a que este se sinta confortável, mesmo quando está completamente cheio. O colete deve ser escolhido em função do peso do mergulhador e do seu equipamento, não esquecendo o tamanho do tronco: se estiver demasiado largo, pode rodar em torno do corpo, se ficar demasiado apertado, torna-se desconfortável.

O mergulhador deve fazer um primeiro ajustamento das precintas com o colete vazio e de seguida deve enchê-lo, para se certificar que não lhe dificulta os movimentos depois de completamente cheio.

Durante o mergulho, devido à compressão do fato, há que proceder a novos ajustamentos das precintas para que o colete volte a ficar justo ao corpo (mas não apertado). Normalmente quando o colete está cheio, à chegada à superfície, é necessário aliviar de novo as precintas para que o mergulhador não se sinta muito apertado.

A precinta de fixação à garrafa é larga e robusta, com uma fivela de fixação por alavanca, que permite um forte e eficiente aperto, não deixando que a garrafa escorregue do suporte. É preferível fazer o aperto com a precinta molhada.